sábado, 31 de março de 2012
Estudo sobre as igrejas do Apocalipse — Introdução (subsídios para a EBD)
ESTUDO SOBRE AS IGREJAS DO APOCALIPSE
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 1.4,19
I. Considerações iniciais
1. O livro de Apocalipse é dirigido às sete igrejas da Ásia (1.4) e está dividido em três partes, contemplando passado, presente e futuro (1.19).
a) “Escreve as coisas que tens visto” — cap.1;
b) “e as que são” — caps.2-3;
c) “e as que depois destas hão de acontecer” — caps.4-22.
2. As cartas às sete igrejas da Ásia não aludem a períodos da História da Igreja, pois nelas se mencionam lugares e pessoas que realmente existiram. Elas também não foram organizadas da melhor para a pior igreja, nem da pior para a melhor.
3. Apesar de não sermos os destinatários originais dessas cartas, boa parte do que foi dito por Jesus àquelas igrejas é extensivo a nós: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22; 13.9). A igreja nascente começou com os doze discípulos do Senhor Jesus, que ouviram ensinamentos que, em sua maioria, são válidos para hoje (Mt 5-7,24,25; Jo 13-17). Nós somos a continuação da igreja primitiva.
II. Visão panorâmica das sete igrejas
1. Objetivos gerais das cartas escritas pelo apóstolo João:
a) Levar as igrejas que estavam desobedecendo a Jesus ao arrependimento (Éfeso, Pérgamo, Sardo e Laodiceia).
b) Estimular as outras a manterem o seu lugar no castiçal (Esmirna, Tiatira e Filadélfia).
c) Como se vê, a maioria (57%) das igrejas era infiel.
2. Perfil de cada igreja — Cristo empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.
a) Éfeso — tinha muitas qualidades, mas faltou-lhe a principal: a manutenção do primeiro amor. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.1-7).
b) Esmirna — uma igreja que foi provada e venceu; deveria ser fiel até a morte. Jesus se revelou a essa igreja como “o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (Ap 2.8-11).
c) Pérgamo — abraçara a doutrina de Balaão e dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios” (Ap 2.12-17).
d) Tiatira — suas últimas obras eram melhores que as primeiras, ao contrário de Éfeso. Jesus se revelou a essa igreja como “o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap 2.18-29).
e) Sardo — seu pastor estava morto; poucos, ali, agradavam a Jesus. Ele se revelou a essa igreja como “o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (Ap 3.1-6).
f) Filadélfia — uma igreja fiel, a melhor de todas, que deveria guardar o que tinha, a fim de não perder a sua coroa. Jesus se revelou a essa igreja como “o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7-13).
g) Laodiceia — uma igreja infiel, cujo pastor, espiritualmente, era desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Jesus se revelou a essa igreja como “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14-22).
3. Palavras transmitidas a todas as igrejas:
a) Mensagem de encorajamento: “Eu sei as tuas obras” ou “Eu conheço as tuas obras” (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).
b) Advertência: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22).
c) Promessa: “Ao que vencer”, “O que vencer” ou “A quem vencer” (Ap 2.7,11,17,26; 3.5,12,21).
Ciro Sanches Zibordi
Deus pode se tornar inimigo do seu próprio povo?
Deus, em sua Palavra, revela-se como amigo do seu povo. No Antigo Testamento, Ele chama Abraão de amigo: “Mas tu, Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi, semente de Abraão, meu amigo” (Is 41.8). Nas páginas neotestamentárias, o Deus-Homem diz à Igreja nascente: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer” (Jo 15.15).
Ao mesmo tempo em que as Escrituras asseveram que Deus é o Amigo do seu povo, apresentam Satanás como o Inimigo. Jesus mesmo, ao interpretar a parábola do joio do campo, afirmou: “O inimigo, que o semeou, é o diabo” (Mt 13.39). Não há meio termo. Somos amigos de Deus, e inimigos do Diabo. Mas, se não quisermos ser amigos de Deus, seremos o quê? Amigos do Diabo! E, por consequência, inimigos de quem?
Meu Deus! Quer dizer, então, que os cristãos desobedientes, ao se tornarem amigos do Diabo e do mundanismo, passam a ser inimigos de Deus? Isso mesmo! Veja o que o Senhor Jesus disse ao pastor da igreja de Pérgamo a respeito dos crentes mundanos, seguidores das doutrinas de Balaão e dos nicolaítas: “Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca” (Ap 2.16).
Não existe texto mais enfático a respeito da inimizade de Deus contra os crentes desobedientes do que Isaías 63.10. Chega a ser chocante o que lemos nessa passagem, mas é uma realidade. Veja: “eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo; pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles”.
Muitos cristãos que temem as obras de Satanás ignoram uma importante verdade: se o tal é o nosso adversário, isso denota que o Grande Amigo está do nosso lado. Afinal, não há espaço em nossa casa para dois moradores, ao mesmo tempo. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo. Ou somos templo do Espírito Santo, morada de Deus em espírito, ou estamos dando lugar ao Diabo.
Reflitamos: se nos sujeitarmos ao Senhor Jesus, o nosso Amigo, resistiremos ao Diabo, o qual fugirá de nós (Tg 4.7). Por outro lado, se resistirmos a Deus, nos sujeitaremos ao Inimigo de nossas almas. E, se fizermos isso, quem será o nosso inimigo?
Somente o arrependimento verdadeiro, que envolve intelecto, sentimento e vontade, pode impedir um crente rebelde de sofrer as consequências de sua inimizade contra Deus. A nossa amizade com Ele está condicionada à obediência. O Mestre dos mestres, ao ensinar os seus discípulos e a nós, por extensão, afirmou: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando” (Jo 15.14). E, em Tiago 4.4, vemos que amizade com o Senhor exige exclusividade: “qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”.
Ter Satanás como inimigo é difícil. Mas seremos vitoriosos contra as suas astutas ciladas, uma vez que temos ao nosso lado — e em nós — aquEle que peleja por nós, o qual é maior do que todos os nossos adversários (1 Jo 4.4; Ef 6.10-18). Entretanto, se permanecermos no pecado, em rebelião contra o Senhor, Ele será o nosso oponente. E, nesse caso, a quem recorreremos? Quem nos defenderá?
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 27 de março de 2012
Estudo sobre as igrejas do Apocalipse — Esmirna (subsídios para a EBD)
“A IGREJA DE ESMIRNA”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.8-11
I. A igreja de Esmirna
1. Diferentemente da igreja de Éfeso, a igreja de Esmirna não é mencionada em nenhuma outra parte do Novo Testamento. Mas há indícios de que ela também tenha sido estabelecida por Paulo e seus companheiros.
a) Em Atos 19.10, está escrito que, num espaço de dois anos, “todos os que habitavam na [província da] Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos”.
b) Nos tempos do Novo Testamento havia três Ásias: o continente; a região (Ásia Menor, atual Turquia); e a província.
c) Paulo apenas passou por Éfeso, capital da província da Ásia, em sua segunda viagem missionária (At 18.19-23).
d) Na sua terceira viagem, Paulo se estabeleceu na Ásia e a evangelizou, a ponto de o ourives Demétrio ter declarado: “bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos” (At 19.26).
2. A cidade de Esmirna, fundada por Alexandre Magno, era bonita, rica e rival de Éfeso. No ano 26 d.C. várias cidades da Ásia Menor competiram pelo privilégio de construir um templo ao imperador Tibério. Esmirna ganhou de Éfeso esse privilégio. Era uma cidade famosa por seu porto e pela mirra que produzia. Apesar de inferior a Éfeso e de não possuir os atrativos de Laodiceia, se ufanava de ser a mais importante da província. Hoje, chama-se Izmir e é a principal cidade da Turquia.
II. Análise da carta à igreja de Esmirna (Ap 2.8-11)
1. “E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve” (v.8).
a) O pastor da igreja de Esmirna era Policarpo (69-155), discípulo de João que se tornou um dos mais notáveis pais da igreja. Ele foi queimado sobre o monte Pagus, no ano 155 d.C., por não ter negado a fé em Cristo perante o carrasco romano. Seus algozes queriam que ele dissesse: Kaiser Kurios (“César é Senhor”), mas ele reafirmou que Jesus é Senhor (Iesous Kurios).
b) Por que a carta foi endereçada ao pastor da igreja?
● Deus prioriza o líder. Quem o despreza, despreza o Senhor (1 Sm 8.7).
● O pastor é o responsável perante o Senhor. Deus só não fala com o líder se ele estiver completamente desviado (1 Sm 3.11-14; 28.6).
2. “Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (v.8) — o Senhor Jesus empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.
a) Éfeso — tinha muitas qualidades, mas faltou-lhe a principal: a manutenção do primeiro amor. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.1).
b) Esmirna — uma igreja que foi provada e venceu; deveria ser fiel até a morte. Jesus se revelou a essa igreja como “o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (Ap 2.8).
c) Pérgamo — abraçara a doutrina de Balaão e dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios” (Ap 2.12).
d) Tiatira — suas últimas obras eram melhores que as primeiras, ao contrário de Éfeso. Jesus se revelou a essa igreja como “o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap 2.18).
e) Sardo — seu pastor estava morto; poucos, ali, agradavam a Jesus. Ele se revelou a essa igreja como “o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (Ap 3.1).
f) Filadélfia — uma igreja fiel, a melhor de todas, que deveria guardar o que tinha, a fim de não perder a sua coroa. Jesus se revelou a essa igreja como “o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7).
g) Laodiceia — uma igreja infiel, cujo pastor, espiritualmente, era desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Jesus se revelou a essa igreja como “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14).
3. “Eu sei as tuas obras, e tribulação” (v.9):
a) Jesus sabe qual é a nossa motivação; por isso, no Tribunal de Cristo, seremos julgados segundo a qualidade das nossas obras (Ap 22.12; 2 Co 5.10; 1 Co 3.11-15).
b) A tribulação revela quem é fiel e quem é conveniente (Mt 13.21; 2 Co 1.3-6).
4. “Eu sei a tua pobreza (mas tu és rico)”:
a) Contrastes entre Esmirna e Laodiceia:
● Laodiceia era rica, financeiramente, mas pobre, espiritualmente (Ap 3.17,18). Esmirna era o inverso disso.
● Laodiceia é a cara do mundo. Esmirna é o rosto de Cristo, humilhado e ferido.
b) As razões da pobreza de Esmirna:
● Seu testemunho de Jesus (Mt 5.10-12).
● Crentes procediam, em geral, das classes pobres; muitos deles eram escravos.
● Crentes eram saqueados, e seus bens eram tomados pelos perseguidores (Hb 10.34).
● Crentes rejeitavam os métodos suspeitos, por sua fidelidade a Cristo. E, por isso, perdiam lucros fáceis, que iam para as mãos de pessoas inescrupulosas. Naquela grande cidade comercial, os cristãos podiam ter conseguido uma boa existência, mas aceitaram voluntariamente as desvantagens sociais (Hb 11.23-26).
c) Os que priorizam riquezas materiais tornam-se pobres, espiritualmente (Mt 6.19-21; 2 Co 6.10; Tg 2.5; Mt 19.24; Jo 12.25).
5. “Eu sei a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (v.9).
a) Em quase todas as igrejas da Ásia havia os que diziam ser alguma coisa: Éfeso (Ap 2.2); Esmirna (v.9); Tiatira (v.20); Filadélfia (3.9); Laodiceia (v.17). Uma coisa é pensar, parecer e dizer que é isto ou aquilo; outra é ser, de fato (Gl 2.6; 6.3; Mt 7.21-23).
b) Os crentes de Esmirna eram blasfemados, isto é, sofriam acusações levianas dos falsos judeus, que estavam a serviço do Diabo.
c) Os cristãos daquele tempo eram blasfemados (1 Co 4.13) e chamados de:
● Canibais — por celebrarem a Ceia do Senhor (Jo 6.56; 1 Co 11.);
● Imorais — por celebrarem a festa do Agape (cf. 1 Co 11.17-21);
● Ateus — por não se dobrarem ante as imagens de escultura (At 19.26);
● Desleais ao imperador — por chamarem Jesus de único e suficiente Senhor e Salvador (Iesous Kurios). A adoração ao imperador era compulsória.
● Desagregadores da família — por levarem pessoas a mudarem de religião (cf. Mt 10.34-36).
6. Mensagem de encorajamento (v.10):
a) “Nada temas das coisas que hás de padecer” — o Senhor nos livra de todos os temores (Sl 34.4; 1 Jo 4.18; 2 Tm 1.7).
b) “Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados [postos à prova]” — Deus prova; a tentação está contida na provação (Tg 1.12-14; Dt 13.1-4);
c) “e tereis uma tribulação de dez dias” — o Senhor não deixa exceder a medida; nossa tribulação é passageira e suportável (2 Co 4.17,18; 1 Co 10.13; 1 Pe 1.6,7).
d) “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”:
● As igrejas da Ásia que estavam agradando a Jesus foram estimuladas a conservarem a sua posição: Esmirna (2.10); Tiatira (v.25); Filadélfia (3.11). As outras deveriam se arrepender: Éfeso (2.5); Pérgamo (v.16); Sardo (3.3); Laodiceia (v.19).
● Jesus, nosso paradigma, foi obediente até a morte (Fp 2.5-11; Hb 5.8,9).
● A coroa será entregue aos vencedores logo após o Arrebatamento (2 Tm 4.7,8; 1 Pe 5.4; Tg 1.12; Ap 2.10).
7. “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v.11) — palavras transmitidas a todas as igrejas:
a) Mensagem de encorajamento: “Eu sei as tuas obras” ou “Eu conheço as tuas obras” (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).
b) Advertência: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22).
c) Promessa: “Ao que vencer”, “O que vencer” ou “A quem vencer” (Ap 2.7,11,17,26; 3.5,12,21).
8. “O que vencer não receberá o dano da segunda morte” (v.11).
a) Morte, na Bíblia, sempre denota separação.
b) Há dois tipos de morte:
● Morte física — é a separação entre o “homem interior” e “homem exterior” (Tg 2.26; Gn 35.18; At 20.10; 1 Rs 17.22; Jó 27.8; Lc 8.55; At 7.59).
● Morte espiritual:
1) Morte para o pecado (regeneração) — é a separação do pecado, ilustrada pelo batismo em águas (Rm 6.11).
2) Morte em pecados — é a separação de Deus por causa do pecado (Is 59.1,2; Ef 2.1; Lc 15.24).
3) Segunda morte — é a separação eterna de Deus por causa da permanência no pecado (Ap 20.6,14; 21.8).
c) Por que segunda morte? Porque a morte física é a primeira. Nesse caso, quem nasce apenas uma vez, morrerá duas vezes; e quem nasce duas vezes morrerá apenas uma vez (Jo 3.1-7).
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 26 de março de 2012
Estudo sobre as igrejas do Apocalipse — Pérgamo (subsídios para a EBD)
“A IGREJA DE PÉRGAMO”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.12-17
I. A igreja de Pérgamo
1. É possível que essa igreja tenha sido fundada pelo ministério do apóstolo Paulo:
a) Paulo esteve em atividade por três anos na província da Ásia (At 20.31).
b) Na sua terceira viagem missionária, num espaço de dois anos, “todos os que habitavam na [província da] Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos” (At 19.10).
c) O ourives Demétrio declarou: “bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos” (At 19.26).
2. A cidade de Pérgamo começou a se destacar depois da morte de Alexandre Magno, em 333 a.C. Ela foi capital da província da Ásia por quase quatrocentos anos, e capital do reino da Selêucida até 133 a.C., quando foi anexada ao Império Romano.
3. Como centro cultural, Pérgamo sobrepujava Éfeso e Esmirna. A sua biblioteca, com duzentos mil pergaminhos, era a segunda maior do mundo, superada apenas pela de Alexandria. Há uma lenda de que o pergaminho deriva-se de Pérgamo, haja vista ter sido essa cidade um importante centro de manufatura do pergaminho.
4. Pérgamo era uma cidade muito idólatra. Nela havia um grande altar a Júpiter (Zeus), e templos dedicados ao imperador, a Atena, a Dionísio e a Esculápio, o deus da cura, identificado por uma serpente.
5. Se considerarmos a analogia, pela qual se compara as sete igrejas da Ásia com os períodos da História da Igreja, Pérgamo representa a igreja mundana dos anos 313 a 600.
II. Análise da carta à igreja de Pérgamo (Ap 2.12-17)
1. “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve” (v.12) — o líder é o responsável perante o Senhor. Ele só não fala com o líder se este estiver completamente desviado (1 Sm 3.11-14; 28.6).
2. “Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios” (v.12):
a) O Senhor Jesus empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.
b) Pérgamo abraçara a doutrina de Balaão e a dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios”.
● A espada de dois fios é a Palavra de Deus (Ef 6.17; Hb 4.12).
● É com a Palavra que Deus corta pela raiz as heresias, os misticismos, os modismos, os maus costumes, etc.
3. O trono de Satanás: “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (v.13).
a) A cidade de Pérgamo, em si, era a habitação do Diabo, pois vários deuses pagãos eram adorados ali: o imperador, Zeus, Atena, Esculápio, etc.
b) Os crentes infiéis, misturados com o mundo, haviam também entronizado Satanás na casa de Deus (1 Tm 4.1).
4. A igreja de Pérgamo tinha duas qualidades (v.13):
a) Conservadora: “e reténs [conservas] o meu nome” (2 Tm 1.13,14; 1 Tm 6.19,20).
b) Fiel: “e não negaste a minha fé” (Ap 2.10).
5. O testemunho a respeito de Antipas: “Ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.
a) Deus dá testemunho dos seus servos, mesmo depois de mortos (Jó 1.8; Mt 3.17; 11.11).
b) O nome Antipas significa “contra todos”. Ele era um apologista (Fp 1.16).
c) Não o confunda com Antipas, pai de Herodes, o Grande, nem com Herodes Antipas, que assassinou João Batista.
d) Segundo a tradição, Antipas foi colocado em um boi de bronze oco (semelhante àquele touro de Nova York), e esse foi levado ao fogo até ficar vermelho.
d) Quem combate a apostasia e a heresia é odiado e perseguido (Mt 5.10,11; At 9.15).
6. A igreja de Pérgamo tolerava obscuras seitas heréticas:
a) “Mas umas poucas coisas tenho contra ti” (v.14) — em Éfeso só tinha uma coisa; mas há pecados que pesam mais que outros. O problema de Pérgamo não era a apostasia aberta, e sim o ecumenismo.
b) “Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem sacrifícios da idolatria e se prostituíssem”.
● Tal doutrina corrompia a graça de Deus; era uma teologia permissiva, tolerante e mercantilista (Jd vv.4,11; 2 Pe 2.15,16).
● Deus não se agrada de mistura (2 Co 6.14-18; Gn 6.2).
c) “Tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” (v.15).
● Vemos aqui um contraste com a igreja de Éfeso, à qual o Senhor falou: “aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” (Ap 2.6).
● Os nicolaítas eram cristãos, possivelmente discípulos de Nicolau, diácono que supostamente se desviou (At 6.5), os quais, apesar de convertidos, de alguma maneira praticavam as obras da carne. Eles supervalorizavam a graça, faziam o trabalho do Senhor relaxadamente, acreditando que não precisavam praticar boas obras (Tg 2.14-17; Ef 2.8-10; Hb 3.12,13).
● Eles ensinavam que o crente não precisa ser diferente do mundo (Ml 1.8; Rm 12.1,2; 1 Jo 2.15-17).
● Eles se consideravam donos da igreja — ainda hoje existem os que seguem a doutrina dos nicolaítas!
7. O aviso do Senhor a quem não se arrepende: “Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra estes batalharei com a espada da minha boca”.
a) A espada é a Palavra de Deus (Ap 19.15,21).
b) Quem não se arrepende acaba tendo o próprio Deus como inimigo (Tg 4.4; Is 63.10).
8. Promessas aos vencedores de Pérgamo:
a) “Darei a comer do maná escondido” — é o banquete permanente no céu; Cristo partilhará sua própria natureza (Jo 6.35ss; Rm 8.18).
b) “Dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” — no passado essa pedra branca era dada a:
● Um réu absolvido.
● Um escravo liberto.
● Um vencedor em corridas ou lutas.
● Um guerreiro que voltava vitorioso de uma batalha.
● A quem participaria de uma festa: entrada, ingresso, bilhete (1 Pe 1.18,19).
Ciro Sanches Zibordi
Estudo sobre as igrejas do Apocalipse — Éfeso (subsídios para a EBD)
“A IGREJA DE ÉFESO”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.1-7
I. A igreja de Éfeso
1. A cidade de Éfeso era a capital da Ásia. Nos tempos bíblicos havia três Ásias:
a) O grande continente asiático — que vai do Japão, passando pela China e Índia, até a Turquia.
b) A região conhecida como Ásia Menor — que compreende a maior parte da Turquia moderna, do mar Egeu às montanhas da fronteira com a Armênia, a leste, e o mar Negro e as montanhas Taurus, no eixo norte-sul — era formada por províncias romanas, como Cilícia, Galácia, Capadócia, Panfília, Bitínia e a própria Ásia.
c) A província da Ásia, cuja capital era Éfeso. Na sua segunda viagem missionária, Paulo estava na Galácia (na Ásia Menor), quando quis ir à província da Ásia (At 16.6). Ele avançou para Mísia e Trôade, onde recebeu direção divina para ir à Macedônia (vv.7ss).
2. Na sua terceira viagem missionária, Paulo foi a Éfeso, na província da Ásia, cidade que contava com meio milhão de habitantes, à época, e era o centro do culto à deusa Diana (At 18-20). João, que teria morrido nessa cidade, supervisionava dali as igrejas da Ásia.
3. A primeira carta do Apocalipse foi dirigida à congregação que se reunia no porto de Éfeso (At 18.18; 19.41). Essa igreja, estabelecida por obreiros como Paulo e Apolo, contou com cristãos ilustres como Priscila e Áquila (At 18.27). Seus primeiros anos foram caracterizados por milagres e um grande crescimento (At 19.11-20).
II. Análise da carta à igreja de Éfeso (Ap 2.1-7)
1. A carta foi endereçada ao anjo da igreja (v.1); ou seja, ao seu pastor. Isso mostra que o líder é o responsável perante o Senhor, que estabeleceu uma hierarquia ministerial para a sua Igreja (1 Co 12.28; At 15.6,22; Ne 8.5).
2. Jesus tem na sua destra (mão direita) as sete estrelas (v.1).
a) Os pastores e os crentes, de modo geral, são comparados a estrelas (Ap 1.20; 1 Co 15.41).
b) Todos nós estamos nas mãos do Senhor Jesus (Jo 10.27,28).
3. Jesus anda no meio dos sete castiçais de ouro (v.1).
a) Os castiçais aludem às igrejas (Ap 1.20). O castiçal, como símbolo da Igreja, salienta o dever de todos os seus membros brilharem em conjunto. Isso fala de unidade.
b) Jesus anda no meio da Igreja (Mt 18.20; 2 Co 6.14-18).
4. Jesus conhece a sua Igreja (v.2).
a) “Eu sei as tuas obras” — é Jesus quem aprova a nossa obra (1 Co 3.11-15; 2 Co 10.18);
b) “o teu trabalho” — nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 15.58);
c) “a tua paciência” — necessitamos de paciência para vencer (Hb 10.36);
d) “que não podes sofrer os maus” — muitos toleram os enganadores e falsos profetas, alegando que não podemos julgar (Mt 7.1 com Jo 7.24; 1 Co 6.1-6; Ap 2.20-22);
e) “puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos” — não é de hoje que obreiros fraudulentos se passam por apóstolos (Mt 7.21-23). É preciso tapar a boca dos faladores (Tt 1.10-14).
5. Virtudes da igreja de Éfeso (vv.3,6).
a) “Sofreste” — vida cristã sem sofrimento não é vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5.1-5; 8.18; 1 Pe 2.20,21);
b) “tens paciência” (Sl 40.1-3; Hb 6.13-15);
c) “trabalhaste pelo meu nome” — muitos trabalham pelo seu próprio nome; quem trabalha pelo nome do Senhor é perseguido, mas também é bem-aventurado (Mt 5.11,12);
d) “não te cansaste” — os que esperam no Senhor têm as forças renovadas (Is 40.28-31; Js 14.7-13);
e) “aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” — os nicolaítas eram cristãos, possivelmente discípulos de Nicolau, diácono que supostamente se desviou (At 6.5), os quais, apesar de convertidos, de alguma maneira praticavam as obras da carne. Os nicolaítas supervalorizavam a graça, faziam o trabalho do Senhor relaxadamente, acreditando que não precisavam praticar boas obras (Tg 2.14-17; Ef 2.8-10; Hb 3.12,13).
6. O grande erro da igreja de Éfeso (v.4).
a) Jesus não ignora erros por causa de acertos; Ele não “põe panos quentes” (Hb 4.13; Jo 21.15-17).
b) O grande erro dos efésios não foi um pecado moral, e sim o abandono do primeiro amor.
c) O amor é a essência da vida cristã (Mt 24.12; 1 Co 13).
d) Paulo concluiu a carta aos efésios dizendo: “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém!” (Ef 6.24).
7. Jesus tem o remédio para a perda do primeiro amor (v.5).
a) “Lembra-te de onde caíste” — o filho pródigo também refletiu sobre sua vida e se lembrou da casa do pai (Lc 15.17);
b) “arrepende-te” — arrependimento verdadeiro envolve intelecto, sentimento e vontade; o arrependimento de Judas foi apenas emocional (Mt 27.3-5);
c) “pratica as primeiras obras” — muitos pensam em estratégias de crescimento inovadoras, mas o avivamento começa com a reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; 2 Cr 29.25-30; Jr 6.16; Pv 24.21);
d) “quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” — se permanecermos na condição de desobedientes a Deus, isso resultará na perda da nossa posição em Cristo.
8. Promessa aos vencedores: “Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (v.7). A nossa glorificação e o nosso galardão estão condicionados à perseverança em servir ao Senhor (Mt 24.13; 1 Co 15.1,2; Hb 3.14; Ap 2.10; 3.11; Rm 8.18).
Ciro Sanches Zibordi
domingo, 25 de março de 2012
sábado, 24 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Carta aberta ao apóstolo Valdinero Somilagro
Prezado apóstolo Valdinero Somilagro, estou impressionado com a sua popularidade. E tenho percebido que o senhor é querido até mesmo por ferrenhos críticos dos telenganadores da atualidade. Mas, a despeito de eu também reconhecer o sucesso de seu empreendimento e valorizar o lado bom de seu trabalho, preciso dizer-lhe algumas palavras não muito agradáveis.
Sei que o senhor já foi um dos seguidores do maior evangelista do século, o bispo Pedir Maiscedo. E estou ciente de que o senhor está em disputa por audiência com o mencionado telebispo e também com o telemissionário Acerte Acerte Soares. Essa disputa entre os senhores é enfatizada, ainda, por meio dos adjetivos de grandeza das suas universais, internacionais e mundiais igrejas, além do uso de títulos diferenciadores: bispo, missionário e apóstolo.
Apesar da origem comum dos senhores, vejo que o estimado apóstolo Valdinero Somilagro tem adotado uma estratégia diferente. O bispo Pedir priorizou, no começo, o exorcismo, mas atualmente enfatiza mais a teologia da prosperidade. E o seu empreendimento tem crescido bastante, a ponto de ele conseguir manter uma grande emissora. Já o Acerte Acerte preferiu seguir a confissão positiva de Kenneth Hagin e outros “mestres da fé”, a qual, sem dúvidas, também é muito rentável.
Maiscedo continua investindo na teologia da prosperidade, baseada em sua famosa máxima “Ou dá, ou desce”. Já o simpático e cativante telemissionário continua com os seus ensinamentos sobre “determinação”, a despeito de também ter os seus bispos milagreiros e suas grutas de milagres. Quanto ao senhor, caro Somilagro, realmente tem sido diferente dos outros, posto que enfatiza mais do que eles a obra que o Senhor Jesus realizou por toda a humanidade. Mas não concordo com a estratégia que o senhor emprega para conquistar seguidores: propagar um evangelho centrado prioritariamente em milagres.
Reconheço que o senhor é dono de um grande carisma. Seu poder de convencimento é maior do que o do telebispo e o do telemissionário, pois é inegável que os pobres, enfermos e sofredores (que são a maioria da população) vão querer estar ao lado de quem resolve os seus principais problemas.
Por que resolvi escrever-lhe esta carta? Porque vejo semelhanças entre o seu empreendimento e o ministério terreno do Senhor Jesus. Ele também foi seguido por grandes multidões de interesseiros por fazer milagres e curar os enfermos. Mas, quais são as diferenças entre o Bom Pastor Jesus Cristo e o apóstolo Valdinero Somilagro?
O Senhor Jesus não pregava prioritariamente milagres, e sim o Evangelho (Mc 1.14,15). Somilagro prega prioritariamente milagres! Jesus realizou milagres e curou os oprimidos do Diabo (At 10.38), mas também falou toda a verdade aos que o seguiam por interesse, e a maioria deles foi embora por causa disso (Jo 6.60-69). Somilagro, ao contrário, parece valorizar ao extremo o aumento do número dos que só querem receber milagres, como alguns que desejam tocá-lo ou passar o lenço em seu suor.
Por que o senhor não prioriza a pregação da verdade completa, como fazia o Bom Pastor? Nenhum seguidor de Cristo foi chamado para pregar prioritariamente milagres, pois estes são o efeito do Evangelho (Mc 16.15-20). Quando se prega principalmente milagres, como tem feito o senhor, caro Somilagro, contribui-se para o aumento de crentes interesseiros, que não querem saber de adorar a Deus em espírito e em verdade, tampouco estudar a Palavra do Senhor.
Outrossim, o Senhor Jesus nunca incentivou a criação de um ministério em torno de sinais, prodígios e maravilhas. Ele não fazia propaganda de suas realizações. E jamais lemos que Ele convocou a todos para uma grande reunião de milagres em Jerusalém ou em Nazaré! No Novo Testamento não há apoio ao ministério de pregador milagreiro. Vemos, em Efésios 4.11, que os ministérios principais são: apóstolo (ministério, e não título), profeta, evangelista, pastor e mestre.
Em 1 Coríntios 12.28, há uma hierarquização dos dons e ministérios do Espírito Santo na qual se vê que os milagres estão ligados a dons esporádicos, a manifestações momentâneas do Espírito, e não a ministérios específicos. No caso de um ministério, o dom fica com o portador; é residente. Por exemplo, o pastor é um ministro com o dom do pastorado; o mestre é portador do dom do ensino, e assim por diante. Mas não existe ministério de milagreiro. Isso é uma invenção para desviar as pessoas da verdade.
De acordo com o texto bíblico acima, caro apóstolo Valdinero Somilagro, Deus pôs na Igreja primeiramente apóstolos (como ministério, e não como título, repito); em segundo lugar, pôs profetas (pregadores da Palavra de Deus, nesse caso); em terceiro, mestres. Depois, pôs milagres (operação de milagres), e não milagreiros!
Se não existe o ministério de milagreiro, por que o senhor age como tal, atraindo todas as atenções para si e tornando-se uma espécie de curandeiro “evangélico”? Por que o senhor prioriza milagres, se na hierarquização feita por Deus os milagres não são prioritários? O senhor sabia que, a despeito de o Bom Pastor ter realizado muitos sinais, prodígios e maravilhas, dois terços do seu ministério foram ocupados com a pregação e o ensino da Palavra de Deus? Por que o senhor não aumenta o tempo da pregação do Evangelho na televisão?
Tenho quase certeza de que o senhor e boa parte dos seus discípulos não vão gostar desta carta e verberarão, sem refletir: “O importante é que os milagres estão realmente acontecendo; contra fatos não há argumentos”. Bem, essa argumentação seria incontestável se os sinais miraculosos não acontecessem também entre os seguidores das mais diversas religiões e seitas. Ou o senhor pensa que os milagres transformam mentiras em verdades ou encobrem erros?
Não há dúvidas de que Deus realiza maravilhas em nossos dias (Hb 13.8). E eu não estou lhe escrevendo para contestar os milagres que ocorrem em sua igreja. O problema está na priorização deles. João Batista recebeu destacado testemunho do Senhor Jesus (Mt 11.11), mas que milagre ele realizou? Nenhum. João destacou-se, antes, por dizer toda a verdade (Jo 10.41).
Há também falsos profetas e enganadores que operam muitos “milagres” (Êx 3; Ap 13; Dt 13.1-4; Mt 7.21-23). Por isso, caro apóstolo Somilagro, aconselho-o a pregar a verdade completa (o Evangelho integral), como Jesus, João Batista, Paulo e os fiéis servos do Senhor mencionados nas páginas do Novo Testamento pregaram. Quanto aos milagres, é bom que eles aconteçam em nosso meio, mas como efeito do Evangelho ou como consequência da pregação evangelística, conforme a soberana vontade do Senhor.
Respeitosamente,
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 19 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Apresente-se a Deus aprovado
16 de março: dia do meu nascimento, em 1970; dia do casamento do meu irmão e do meu novo nascimento, em 1985; e o dia em que a minha filha chegou à minha casa, em 2004. E ainda dizem que Deus não se preocupa com o nosso calendário! Aproveito essa oportunidade para partilhar com todos os internautas uma mensagem bíblica.
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
As sete cartas do Apocalipse — Éfeso (roteiro)
Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC)
Pastor-presidente Francisco José da Silva
ESTUDO SOBRE AS SETE IGREJAS DO APOCALIPSE
“A IGREJA DE ÉFESO”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.1-7
I. Considerações iniciais
1. O livro de Apocalipse é dirigido às sete igrejas da Ásia (1.4) e está dividido em três partes, contemplando passado, presente e futuro (1.19).
a) “Escreve as coisas que tens visto” — cap.1;
b) “e as que são” — caps.2-3;
c) “e as que depois destas hão de acontecer” — caps.4-22.
2. As cartas às sete igrejas da Ásia não aludem a períodos da História da Igreja, pois nelas se mencionam lugares e pessoas que realmente existiram. Elas também não foram organizadas da melhor para a pior igreja, nem da pior para a melhor.
3. Apesar de não sermos os destinatários originais dessas cartas, boa parte do que foi dito por Jesus àquelas igrejas é extensivo a nós: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22; 13.9). A igreja nascente começou com os doze discípulos do Senhor Jesus, que ouviram ensinamentos que, em sua maioria, são válidos para hoje (Mt 5-7,24,25; Jo 13-17). Nós somos a continuação da igreja primitiva.
II. Visão panorâmica das sete igrejas
1. Objetivos gerais das cartas escritas pelo apóstolo João:
a) Levar as igrejas que estavam desobedecendo a Jesus ao arrependimento (Éfeso, Pérgamo, Sardo e Laodiceia).
b) Estimular as outras a manterem o seu lugar no castiçal (Esmirna, Tiatira e Filadélfia).
c) Como se vê, a maioria (57%) das igrejas era infiel.
2. Perfil de cada igreja — Cristo empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.
a) Éfeso — tinha muitas qualidades, mas faltou-lhe a principal: a manutenção do primeiro amor. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.1-7).
b) Esmirna — uma igreja que foi provada e venceu; deveria ser fiel até a morte. Jesus se revelou a essa igreja como “o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (Ap 2.8-11).
c) Pérgamo — abraçara a doutrina de Balaão e dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios” (Ap 2.12-17).
d) Tiatira — suas últimas obras eram melhores que as primeiras, ao contrário de Éfeso. Jesus se revelou a essa igreja como “o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap 2.18-29).
e) Sardo — seu pastor estava morto; poucos, ali, agradavam a Jesus. Ele se revelou a essa igreja como “o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (Ap 3.1-6).
f) Filadélfia — uma igreja fiel, a melhor de todas, que deveria guardar o que tinha, a fim de não perder a sua coroa. Jesus se revelou a essa igreja como “o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7-13).
g) Laodiceia — uma igreja infiel, cujo pastor, espiritualmente, era desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Jesus se revelou a essa igreja como “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14-22).
3. Palavras transmitidas a todas as igrejas:
a) Mensagem de encorajamento: “Eu sei as tuas obras” ou “Eu conheço as tuas obras” (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).
b) Advertência: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22).
c) Promessa: “Ao que vencer”, “O que vencer” ou “A quem vencer” (Ap 2.7,11,17,26; 3.5,12,21).
III. A igreja de Éfeso
1. A cidade de Éfeso era a capital da Ásia. Nos tempos bíblicos havia três Ásias:
a) O grande continente asiático — que vai do Japão, passando pela China e Índia, até a Turquia.
b) A região conhecida como Ásia Menor — que compreende a maior parte da Turquia moderna, do mar Egeu às montanhas da fronteira com a Armênia, a leste, e o mar Negro e as montanhas Taurus, no eixo norte-sul — era formada por províncias romanas, como Cilícia, Galácia, Capadócia, Panfília, Bitínia e a própria Ásia.
c) A província da Ásia, cuja capital era Éfeso. Na sua segunda viagem missionária, Paulo estava na Galácia (na Ásia Menor), quando quis ir à província da Ásia (At 16.6). Ele avançou para Mísia e Trôade, onde recebeu direção divina para ir à Macedônia (vv.7ss).
2. Na sua terceira viagem missionária, Paulo foi a Éfeso, na província da Ásia, cidade que contava com meio milhão de habitantes, à época, e era o centro do culto à deusa Diana (At 18-20). João, que teria morrido nessa cidade, supervisionava dali as igrejas da Ásia.
3. A primeira carta do Apocalipse foi dirigida à congregação que se reunia no porto de Éfeso (At 18.18; 19.41). Essa igreja, estabelecida por obreiros como Paulo e Apolo, contou com cristãos ilustres como Priscila e Áquila (At 18.27). Seus primeiros anos foram caracterizados por milagres e um grande crescimento (At 19.11-20).
IV. Análise da carta à igreja de Éfeso (Ap 2.1-7)
1. A carta foi endereçada ao anjo da igreja (v.1); ou seja, ao seu pastor. Isso mostra que o líder é o responsável perante o Senhor, que estabeleceu uma hierarquia ministerial para a sua Igreja (1 Co 12.28; At 15.6,22; Ne 8.5).
2. Jesus tem na sua destra (mão direita) as sete estrelas (v.1).
a) Os pastores e os crentes, de modo geral, são comparados a estrelas (Ap 1.20; 1 Co 15.41).
b) Todos nós estamos nas mãos do Senhor Jesus (Jo 10.27,28).
3. Jesus anda no meio dos sete castiçais de ouro (v.1).
a) Os castiçais aludem às igrejas (Ap 1.20). O castiçal, como símbolo da Igreja, salienta o dever de todos os seus membros brilharem em conjunto. Isso fala de unidade.
b) Jesus anda no meio da Igreja (Mt 18.20; 2 Co 6.14-18).
4. Jesus conhece a sua Igreja (v.2).
a) “Eu sei as tuas obras” — é Jesus quem aprova a nossa obra (1 Co 3.11-15; 2 Co 10.18);
b) “o teu trabalho” — nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 15.58);
c) “a tua paciência” — necessitamos de paciência para vencer (Hb 10.36);
d) “que não podes sofrer os maus” — muitos toleram os enganadores e falsos profetas, alegando que não podemos julgar (Mt 7.1 com Jo 7.24; 1 Co 6.1-6; Ap 2.20-22);
e) “puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos” — não é de hoje que obreiros fraudulentos se passam por apóstolos (Mt 7.21-23). É preciso tapar a boca dos faladores (Tt 1.10-14).
5. Virtudes da igreja de Éfeso (vv.3,6).
a) “Sofreste” — vida cristã sem sofrimento não é vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5.1-5; 8.18; 1 Pe 2.20,21);
b) “tens paciência” (Sl 40.1-3; Hb 6.13-15);
c) “trabalhaste pelo meu nome” — muitos trabalham pelo seu próprio nome; quem trabalha pelo nome do Senhor é perseguido, mas também é bem-aventurado (Mt 5.11,12);
d) “não te cansaste” — os que esperam no Senhor têm as forças renovadas (Is 40.28-31; Js 14.7-13);
e) “aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” — os nicolaítas eram cristãos, possivelmente discípulos de Nicolau, diácono que supostamente se desviou (At 6.5), os quais, apesar de convertidos, de alguma maneira praticavam as obras da carne. Os nicolaítas supervalorizavam a graça, faziam o trabalho do Senhor relaxadamente, acreditando que não precisavam praticar boas obras (Tg 2.14-17; Ef 2.8-10; Hb 3.12,13).
6. O grande erro da igreja de Éfeso (v.4).
a) Jesus não ignora erros por causa de acertos; Ele não “põe panos quentes” (Hb 4.13; Jo 21.15-17).
b) O grande erro dos efésios não foi um pecado moral, e sim o abandono do primeiro amor.
c) O amor é a essência da vida cristã (Mt 24.12; 1 Co 13).
d) Paulo concluiu a carta aos efésios dizendo: “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém!” (Ef 6.24).
7. Jesus tem o remédio para a perda do primeiro amor (v.5).
a) “Lembra-te de onde caíste” — o filho pródigo também refletiu sobre sua vida e se lembrou da casa do pai (Lc 15.17);
b) “arrepende-te” — arrependimento verdadeiro envolve intelecto, sentimento e vontade; o arrependimento de Judas foi apenas emocional (Mt 27.3-5);
c) “pratica as primeiras obras” — muitos pensam em estratégias de crescimento inovadoras, mas o avivamento começa com a reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; 2 Cr 29.25-30; Jr 6.16; Pv 24.21);
d) “quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” — se permanecermos na condição de desobedientes a Deus, isso resultará na perda da nossa posição em Cristo.
8. Promessa aos vencedores: “Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (v.7). A nossa glorificação e o nosso galardão estão condicionados à perseverança em servir ao Senhor (Mt 24.13; 1 Co 15.1,2; Hb 3.14; Ap 2.10; 3.11; Rm 8.18).
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 13 de março de 2012
Como se defender de ataques verbais?
Li, há pouco tempo, o livro Como se Defender de Ataques Verbais, de Barbara Berckhan (Sextante). A obra é muito boa. Mas, há milhares de anos, um rei de Israel chamado Salomão antecipou os principais conselhos da autora, como este: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15.1).
Em Provérbios 26.4,5 há uma aparente contradição sobre como responder aos ataques verbais: “Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também te não faças semelhante a ele. Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus olhos”. Para entender o que Salomão quis dizer com esse jogo de palavras, não devemos isolar as suas frases; temos de examinar o contexto.
No versículo 4 somos ensinados a não responder ao tolo da mesma maneira que ele, como que se colocando no mesmo nível. Isso se coaduna com o que está escrito em 1 Pedro 3.15: “estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Ou seja, se alguém for zombeteiro e maldizente, não devemos responder-lhe com zombaria ou xingamentos.
Se não existe contradição na passagem em análise, como entender o versículo 5, que parece contrariar o conselho contido no versículo 4? Tendo em mente a instrução de não responder ao tolo segundo a sua estultícia — isto é, de modo contencioso, escarnecedor, irascível, etc. —, leiamos o versículo 5 na versão espanhola de Casiodoro de Reina: “Responde al necio como merece su necedad, para que no se estime sabio en su propia opinión”.
O melhor exemplo para nos ajudar a entender a passagem em apreço é o diálogo entre Jesus e a mulher de Samaria, registrado em João 4. Quando ela parecia irritada com a abordagem do Senhor, que lhe pedira água, agrediu-o com palavras. Ele podia ter virado as costas para ela. O que fez o Senhor Jesus? Ele não lhe respondeu segundo a sua tolice; não se igualou a ela, empregando o mesmo tom provocativo. Por outro lado, paradoxalmente, lhe respondeu segundo — ou como merecia — a sua insensatez.
Fico pensando: Como nós responderíamos a essa pergunta: “Como sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou samaritana?” É possível que alguns de nós dissessem àquela mulher samaritana: “OK. Então fique com a sua opinião, que eu fico com a minha, sua ignorante”. Mas o Mestre deu à mulher a resposta que ela merecia: “Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva”.
Lembremo-nos de que as armas da nossa milícia não são carnais (2 Co 10.4). Temos várias armas de defesa: o capacete da salvação, a couraça da justiça, os calçados da preparação do Evangelho da paz, o escudo da fé e o cinto da verdade. E a nossa única arma de ataque é a espada do Espírito, a Palavra de Deus (Ef 6.10-18).
Como devemos responder ao néscio? Se ele falar o que quiser, sem que as suas ideias errôneas sejam refutadas, pensará que é sábio. Por isso, devemos lhe responder, mas sem descer ao nível dele. A nossa argumentação com os tolos dever ser amigável, amistosa, sem contender (2 Tm 2.24-26), pois o que ele mais deseja é que nos irritemos com as suas provocações. Sejamos sábios, “remindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.16).
Ciro Sanches Zibordi
Estudo sobre as sete igrejas do Apocalipse na Assembleia de Deus de Cordovil-RJ
Esses dias que antecedem a Segunda Vinda de Cristo têm sido muito difíceis. A cada dia vemos o cumprimento dos sinais indicadores do Arrebatamento da Igreja, principalmente no seio do evangelicalismo moderno. E, como disse o Senhor Jesus, “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12).
As sete cartas do Apocalipse (mencionadas nos capítulos 2 e 3 desse livro), que apresentam uma sétupla mensagem às igrejas de hoje, serão estudadas, no próximo trimestre, nas Escolas Bíblicas Dominicais que adotam as Lições Bíblicas da CPAD. Entendendo que esse estudo está de acordo com os dias difíceis em que vivemos, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC) se antecipa e promoverá, a partir de hoje, uma série de estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor, a qual se estenderá até o fim de maio.
Caro internauta, se você mora na cidade do Rio de Janeiro e deseja aprender e apreender a Palavra de Deus, programe-se para estudar a Bíblia conosco às terças-feiras. Anote em sua agenda a nossa programação de estudos para março, abril e maio.
13/3 – Estudo sobre a Igreja de Éfeso.
20/3 – Ceia do Senhor. Nesse dia, o tema será livre, em razão da exiguidade de tempo para a exposição da Palavra.
27/3 – Estudo sobre a Igreja de Smirna.
3/4 – Estudo sobre a Igreja de Pérgamo.
10/4 – Estudo sobre a Igreja de Tiatira.
17/4 – Ceia do Senhor (tema livre).
24/4 – Estudo sobre a Igreja de Sardo.
1/5 – Estudo sobre a Igreja de Filadélfia.
8/5 – Estudo sobre a Igreja de Laodiceia.
15/5 – Ceia do Senhor (tema livre).
20 a 27/5 – Festividade da Igreja. A programação será divulgada a posteriori.
29/5 – Estudo conclusivo sobre as sete igrejas do Apocalipse.
Local: Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ.
Horário: 19 horas.
Endereço: Rua Piaíba, 285 – Brás de Pina – Rio de Janeiro-RJ.
Contamos com a sua presença!
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 12 de março de 2012
Quem está certo: o bispo universal, o missionário internacional ou o apóstolo mundial?
Na atualidade, há três igrejas conhecidas como evangélicas que, apesar de terem Deus no nome, não têm pregado o verdadeiro Evangelho. Elas “arrastam” multidões. Pessoas se acotovelam para ouvir “outro evangelho”, e não o Evangelho (1 Co 15.1,2; 2 Co 11.3,4. Gl 1.6-12; 1 Tm 6.3,4).
Refiro-me a três grandes igrejas, cujos templos estão sempre lotados. A maior delas ainda não conquistou outros planetas, mas a sua meta é crescer em nível universal. A segunda maior também está em boa parte do globo terrestre; trata-se de uma igreja internacional. E a terceira também não deixa por menos. Conquanto menor do que as outras, já se considera mundial.
Estou falando de três líderes carismáticos, telepregadores muito bem-sucedidos em seus negócios. Os dois primeiros fundaram a primeira igreja, de abrangência universal. O segundo e o terceiro saíram da primeira. O mais rico (está entre os mais ricos do País!) tem um reino à sua disposição. O segundo mais rico é um milionário, quer dizer, um missionário cheio de graça, que prega, canta, conta piadas... E o terceiro vem suando bastante (a ponto de os fiéis recolherem o seu suor!) para demonstrar que a sua igreja tem muito poder.
Essas igrejas aparecem na mídia todos os dias e têm muitos seguidores — você pode ser um deles! —, mas não pregam, como já disse, o verdadeiro Evangelho. A primeira prega o evangelho da prosperidade. A segunda, o evangelho triunfalista, à base de confissões positivas. E a terceira, o evangelho experiencialista e místico.
Os auditórios dessas igrejas, em geral, são formados por três tipos de pessoas, nessa ordem: interesseiras que frequentam cultos prioritariamente para se tornarem empresárias ou saírem de uma crise financeira; interesseiras que vão aos cultos para receberem curas, bens materiais ou soluções de problemas; e interesseiras que frequentam os cultos para receberem milagres. Jesus também era seguido por multidões de interesseiros. A diferença é que Ele pregava a verdade, o que fazia com que muitos deixassem de segui-lo (Jo 6.60-69).
Bem, a primeira igreja, de abrangência universal, contraria o que diz a Bíblia acerca do Reino de Deus, que “não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), ao priorizar a prosperidade material. Deus faz prósperos os seus filhos (Sl 1; 23; 37), mas um crente que só pensa em dinheiro e bens materiais está longe de agradar ao Senhor Jesus (Mt 6.19-21; 1 Tm 6.9,20; Ef 5.5).
A segunda igreja, de abrangência internacional, não prioriza a graça do Senhor Jesus, posto que promove um culto antropocêntrico, centrado nas necessidades humanas. As pessoas não frequentam os cultos primeiramente para adorar ao Senhor, e sim para receberem bênçãos, como se Deus fosse aquele bom velhinho do Pólo Norte... Deus abençoa o seu povo, mas o nosso culto deve ser cristocêntrico, isto é, em adoração e louvor a Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). A oração modelo não começa com “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”, e sim: “Pai nosso que está nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).
Finalmente, a terceira igreja, de abrangência mundial, apresenta um culto aos milagres. Tudo gira em torno de sinais, prodígios, curas... Há problema nisso? Claro que sim! O Senhor Jesus, quando andou na terra, ficou o tempo todo curando os enfermos e fazendo milagres? Não! Ele ensinava, pregava e curava, nessa ordem (Mt 4.23; 11.1). Ele ensinou mais que pregou; e pregou mais que curou. Além disso, pregar o Evangelho não é pregar milagres, pois estes são o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.15-20). Por isso, na hierarquização que Deus estabeleceu para os dons do Espírito, milagres e curas aparecem depois de apóstolos, profetas e doutores (1 Co 12.28).
Qual é o líder que está com a razão, visto que estão se digladiando há algum tempo? O bispo universal, que só prega a teologia da prosperidade, não fazendo jus à definição bíblica de Reino de Deus? Ou o missionário cheio de graça, conhecido em âmbito internacional? Ou ainda o apóstolo mundial que faz da pregação de milagres o seu carro-chefe, deixando de pregar o Evangelho pleno, composto de promessas, mandamentos e princípios?
Enquanto os aludidos bispo, missionário e apóstolo disputam para ver quem é o melhor, sigamos o Bom Pastor, o nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 10.11,27,28). Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6).
Amém?
Ciro Sanches Zibordi
quinta-feira, 8 de março de 2012
Diretrizes e metas para crescimento da Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ
Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC)
Pastor-presidente Francisco José da Silva
DIRETRIZES E METAS GERAIS PARA AVIVAMENTO E CRESCIMENTO DO MINISTÉRIO
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Atos 1.8; 2.42-47; 4.31-33; 6.7; 16.5
Introdução
Após uma série de reuniões no mês de janeiro de 2012 — sob a direção do nosso pastor-presidente e com a participação da diretoria deste ministério e dos dirigentes das congregações —, verificou-se a necessidade do estabelecimento de algumas diretrizes e metas gerais para este ano e para os próximos. Elas passaram a vigorar a partir de 1 de fevereiro de 2012 e visam ao avivamento e ao fortalecimento de todo o ministério, a fim de que cresçamos espiritual, numérica e geograficamente.
I. Priorização da Palavra de Deus
1. O período para exposição da Palavra, em todos os cultos, será de, pelo menos, 45 minutos.
a) O verdadeiro avivamento ocorre mediante a pregação e o ensino da Palavra de Deus (Rm 10.17; Sl 119.130; Jo 5.24; 2 Tm 3.16,17).
b) O louvor é uma parte muito importante do culto (1 Co 14.26), mas o Senhor Jesus não priorizou o cântico e a música, ao andar na terra (Mt 4.23). 2/3 do seu ministério terreno foram dedicados à pregação e ao ensino da Palavra. E Ele é o nosso paradigma (1 Jo 2.6; 1 Co 11.1; At 10.38).
2. Haverá ampla campanha de divulgação da Escola Bíblica Dominical.
a) Em todos os cultos de domingo, à noite, todos os presentes serão convidados, com ênfase, a participar da próxima lição da EBD.
b) O assunto da próxima lição da EBD será mencionado ao longo da semana, nos cultos oficiais do ministério, com o objetivo de gerar interesse pelo estudo da Palavra de Deus.
c) Panfletos de incentivo à EBD serão impressos e distribuídos aos membros.
3. O culto de doutrina na sede será um dos principais cultos do ministério.
a) Todos os obreiros do ministério (pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos, auxiliares de trabalho, coordenadores de departamentos, superintendentes e professores de EBD, regentes, etc.) devem participar desse culto semanal.
b) Esse culto não é apenas da matriz, e sim de todos os membros do nosso ministério.
4. O culto de quinta-feira, de igual modo, será um grande culto do ministério, e não apenas uma reunião da sede.
a) Todos devem participar, a fim de apresentarmos a Deus um culto animado, avivado, com espaço para louvor congregacional e pregação cristocêntrica, visando a: adoração verdadeira, salvação de almas, edificação, batismo com o Espírito Santo, renovação, cura, abertura de portas, milagres, etc.
b) Mas sem modismos.
II. Priorização da oração
1. Todos os cultos serão antecedidos de 30 minutos de oração de joelhos.
a) Isso significa que todas as nossas reuniões começarão mais cedo, e a oração de joelhos fará parte do culto.
b) Os pastores da matriz e os dirigentes de cada congregação deverão dar o exemplo, sendo os responsáveis por iniciar o aludido período de oração.
2. No dia da Ceia do Senhor — na matriz ou nas congregações —, o povo de Deus deverá ser incentivado a jejuar por uma hora, pela manhã, em prol do crescimento da obra de Deus.
a) Esse jejum será apresentado ao Senhor após a exposição da Palavra.
b) Não existe igreja vigorosa que não ore e jejue com frequência (At 6.4; 13.1-3).
III. Preparação e capacitação de toda a igreja em áreas específicas
1. Em todas as últimas terças-feiras de cada mês haverá um grande culto destinado à motivação e ao aperfeiçoamento de todos os obreiros do ministério.
a) Essas reuniões serão usadas para motivar os obreiros e instruí-los, especialmente quanto ao perfil da ADMC, que envolve os aspectos teológico (doutrinas bíblicas); eclesiástico (ministério principal, presbitério, diaconato, práticas litúrgicas, etc.); e consuetudinário (usos, costumes, práticas, etc.).
b) Com o objetivo de reunir o maior número possível de obreiros nessas reuniões festivas, e tendo em vista que muitos virão diretamente do trabalho, o ministério oferecerá um pequeno lanche a todos, antes do início dessa importantíssima reunião.
2. Seminários e workshops.
a) Já estão na agenda deste ano: Seminário para Líderes (25/2); Seminário para Jovens e Adolescentes (24/3 e 21/7).
b) A igreja oferecerá, também, treinamento específico para pregadores, professores de EBD, músicos, coordenadores de departamento, etc.
3. Uma grande escola bíblica com duração de uma semana será realizada em 2013. A data desse evento será definida a posteriori.
IV. Motivação e avaliação constantes de todos os obreiros
1. Todos os obreiros do ministério devem estar motivados, pois são modelos para o povo (Os 4.9; Nm 13.30; 2 Co 5.5,6).
2. Nenhum obreiro deve trabalhar em desarmonia com a direção do ministério.
a) Haverá uma equipe de obreiros da sede que visitará as congregações, a fim de motivar os dirigentes, lembrando-lhes destas diretrizes e metas. Essa medida tem como objetivo, também, gerar maior afinidade entre a matriz e as congregações.
b) Será implantado, posteriormente, um sistema de ouvidoria para todos os membros do ministério, a fim de acolher sugestões e críticas. Não será recebida nenhuma mensagem anônima.
3. Lembremo-nos de que a ADMC é formada por matriz, congregações, campo missionário, etc., mas ela é uma igreja só, e não várias!
V. Evangelização e discipulado
1. Para crescer numericamente nesses tempos pós-modernos, a igreja precisa utilizar todos os métodos lícitos e convenientes para evangelização e discipulado (Mc 16.15-18; Mt 28.18-20; 1 Co 9.16-22).
a) Haverá treinamento sobre evangelização e discipulado, que abrangerá: evangelização pessoal, cultos nos lares, culto ao ar livre, distribuição de folhetos, evangelização pela Internet, etc.
b) A matriz e as congregações deverão visitar (ou revisitar) todos os moradores próximos ao templo.
c) Equipes de duas pessoas deverão cobrir cada rua da localidade, batendo de porta em porta.
d) Além de entregar uma literatura evangelística, a mencionada dupla deverá anotar o endereço e o nome da pessoa que atendê-los e perguntar se ela aceitaria uma visita (haverá um formulário específico para isso).
e) Se a pessoa evangelizada não aceitar uma visita, pelo menos teremos em arquivo o seu nome e seu endereço para lhe enviar uma literatura ou convites para nossos eventos.
2. Formação de discípulos.
a) As pessoas que entregarem a sua vida a Jesus, nos cultos, receberão cuidado especial na Escola Bíblica Dominical.
b) Elas também serão acompanhadas de perto e ensinadas sobre as doutrinas fundamentais da Palavra do Senhor, a fim de que estejam aptas para o batismo em águas.
VI. Uso da mídia e realização de obras sociais
1. Uma igreja do porte da ADMC não pode ficar longe da mídia.
a) Nosso ministério terá, em breve, um programa na rádio evangélica de maior audiência do Rio de Janeiro — de preferência —, visando à evangelização e à divulgação dos nossos cultos e trabalhos.
b) As notícias inseridas semanalmente no site da igreja serão propagadas por meio das principais redes sociais, sites e blogs.
c) Um estudo de viabilidade será feito para sabermos como o ministério poderá ter um programa de TV para pregação do Evangelho e promoção da igreja e seus trabalhos.
d) Tal promoção midiática tem como objetivo glorificar a Deus e atrair a atenção das pessoas que precisam conhecer a Jesus Cristo, o Salvador do mundo.
2. Realização de trabalhos sociais e sua divulgação. Além de ajudar o próximo, o que é nosso dever como igreja do Senhor (Gl 6.10), a divulgação das ações sociais servirá de chamariz para aqueles que precisam ouvir a mensagem de salvação.
VII. Transformação do culto de domingo em uma reunião específica para proclamação do Evangelho e salvação de almas
1. Essa transformação requererá de todos um mesmo sentimento (Fp 2.5), um só coração e uma só alma (At 4.32), isto é, unanimidade (Rm 12.16).
2. Os crentes serão estimulados a convidarem seus parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc. para participarem do culto de domingo, tendo a certeza de que uma mensagem de salvação será pregada.
3. Toda a programação do culto priorizará a salvação dos pecadores.
a) As letras dos cânticos, a começar pelos hinos da Harpa Cristã, serão voltadas ao louvor do Senhor Jesus e à evangelização.
b) A pregação evangelística terá prioridade. Chega de mensagens antropocêntricas em nossos púlpitos. A ADMC é uma igreja cristocêntrica!
VIII. Diretrizes e metas para expansão geográfica
1. Realização de uma escola bíblica anual no campo missionário. Já está programada uma para este ano (16-18/3).
2. Acompanhamento das igrejas mantidas pelo nosso ministério. A matriz sempre entrará em contato com os dirigentes dessas congregações, a fim de motivá-los e orientá-los no que for necessário.
3. Contribuir financeiramente para o crescimento de igrejas estabelecidas em outros países. Deus tem abençoado o Brasil na esfera econômica, mas há países em crise. Esse tipo de contribuição é altruísta e despretensioso, mas será recompensado pelo Senhor da seara (2 Co 9.5-15).
4. Realização mensal de um grande culto de missões.
a) Esse culto deverá ser realizado em um dos sábados.
b) Trata-se de um culto do ministério, e não da matriz.
5. Envio de missionários a outros países. Já está sendo estudada a possibilidade de abrir uma congregação na Europa.
Conclusão
Cada um de nós pode ser um instrumento nas mãos do Senhor Jesus para o crescimento da ADMC. Mas precisamos de unidade. Lembremo-nos do que está escrito em Filipenses 2.14,15: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”.
CSZ
RJ, 31/1/2012
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